24 de mai. de 2008

Ortodoxos que não entendem nem de ortodoxia no Banco Central


Lembro das aulas do professor Ubiratan Iorio: inflação é o aumento contínuo e generalizado de preços. É definida assim, inclusive pelo Simonsen, para que se compreenda como um fenômeno monetário que é. É diferente de preços altos, ou de mudanças na estrutura de oferta e demanda, em preços relativos.

Se o petróleo começar a acabar no mundo, coeteris paribus o preço dele vai subir contínuamente. A política monetária nada vai poder fazer além de atuar sobre expectativas, de modo a evitar espirais salário-preço que possam pressionar a demanda por moeda em um segundo momento.

Se a demanda mundial de commodities aumenta e a oferta não acompanha, preços sobem, e a política monetária interna também nada pode fazer. Se não é a demanda interna a responsável por esse movimento, conter a demanda interna não faz sentido.

A "inflação" decorrente de movimentos estruturais é então algo conceitualmente capenga, porque pelo conceito mais estrito, e que fundamenta a teoria econômica, não deveria se chamar inflação quando não é decorrente de descontrole monetário. A meta de controle monetário fica então pressionada porque acaba se mostrando um indicador ruim de controle monetário, dado que a "inflação" como é atualmente medida para uma economia não separa a parcela decorrente de descontrole monetário daquela decorrente de movimentos estruturais.

Nesse contexto, sinalizar que o governo está disposto a tudo para manter o controle de preços por meio de uma elevação de juros de modo a evitar a espiral é válido, muito válido em um país que tem uma memória inflacionária recente. O que não faz sentido é confundir ortodoxia com a fé cega nos juros, e tentar controlar mudanças estruturais de preços na economia com política monetária.

Mais ainda, ao mirar errado e apostar na panacéia de que preços subindo precisam de juros subindo, sem saber diferenciar efeitos monetários de estruturais, pode acertar a galinha dos ovos de ouro, comprometer mais ainda a oferta e pressionar ainda mais pela alta de preços.

21 de mai. de 2008

Cuca e o Botafogo

Intervalo de Corinthians e Botafogo. Cuca comenta emocionado o lance de um gol que deu ao Botafogo o último título da Taça Rio. O repórter faz a locução: Cuca tem 2 títulos na carreira - é bicampeão da Taça Rio. Mas ainda aguarda por um grande título.

-Cuca, você tem vontade de conquistar a Copa do Brasil?

-Vontade eu tenho sim, e é enorme... o problema é que os outros também têm... bem que eles podiam ter um pouquinho menos...

Isso é o Cuca. O Botafogo é um time com uma bela história, humilde, grandes craques, conquistas sofridas. Mas mais sofrido que o Cuca não tem. Seu Guma tem razão: ele entende de futebol, aliás faz mágica com o time do Botafogo, mas realmente tem problema. É triste.

Ontem o Renato Maurício Prado falou pro Juca Kfouri que o Botafogo é muito mais time que o Corinthians. Não é. E não quero dizer que o time do Corinthians seja bom. Também não é. É mediano, na medida pra subir pra primeira divisão.

E o Botafogo, eu repito: é também um time mediano, não é o time forte que falam. E que ultimamente joga exclusivamente em cima da estratégia mau caráter de cavar faltas. Digo isso agora que não é com o Flamengo, não é uma opinião passional. A melhor jogada do Botafogo no primeiro tempo foi uma bola entregada de graça pro Wellington Paulista, e ele perdeu. Fora isso, faltas claramente cavadas. Tomou o gol, 30 segundos depois cavou uma falta que não existiu. Começou o segundo tempo, 46 segundos, cavou uma falta na meia lua do Corinthians. E depois o pênalty no Jorge Henrique, que eu tenho certeza que também foi inventado, muito embora tenha havido o toque.