Faço questão de reproduzir, em homenagem ao 53º aniversário de um grande amigo meu, uma foto recebida por email e analisada há mais ou menos um ano atrás, que suscitou questionamentos sobre sua heterossexualidade até então tida como irrepreensível. Uma bobagem. Digo, os questionamentos foram uma bobagem.

Naquela situação me vi moralmente obrigado a defendê-lo e o fiz apelando para a razão, e não para moral. Já àquela época havia acabado de ler aquele livro em que o Nietzsche, cascudo pra caralho, que tira uma onda de fodão o tempo todo – só precisa de mulher pra necessidade fisiológica, passa 3 dias de dor de cabeça e nem toma uma novalgina -, quando apertam ele lá na encolha ele chora que nem um neném. Ou seja, carece esse lado macho pra porra, tosco que nem papel de embrulhar prego, de uma vertente feminina igualmente acentuada.
De forma análoga, fica então evidente que um sujeito que insiste em andar – e quando falo andar, não me refiro ao andar que todo mundo entende como andar, mas a um andar em que sempre um lado do corpo se aparenta paralisado, preso ao chão, enquanto que o outro é obrigado a arrastá-lo, e vice versa, sucessivamente, num esforço doloroso que o faz franzir a fronte -, digo, então, que insiste em um “andar” com essas ressalvas todas, com os mesmos ternos da época da faculdade, que usava quando ia fazer entrevista pra estágio – sem sequer lavar, pra não desbotar –, esse mesmo sujeito, por essas razões e por outras tantas tão enumeráveis quanto o conjunto dos naturais, tem que ter um lado mais sensível que o lado feminino, por exemplo, do Biafra, dado que o lado masculino do Biafra, poir sua vez, já não é essas coisas.
Mas então abram bem seus olhos e vejam vocês outra coisa então, que nesse livro eu não só aprendi que esses caras que posam de cascudo arregam não, aprendi que traumas, fantasias e quetais se revelam de diversas formas, incentivadas que são por uma instância independente que aluga parte do nosso cérebro, e principalmente na infância, em que a pessoa tem um comportamento sem freios, agindo o tempo todo ora como se bêbada ora sob ação de estimulantes ou estupefacientes. Vejam vocês então se um sujeito que usava lenços no pescoço para dançar que nem o Ricky Martin na infância não quereria ter adornos similares aos que hoje dedica ao seu melhor “amigo”, o famigerado Deco. Veja mais então, veja então se, à luz das evidências atuais, a atitude de querer ser igual ao Ricky Martin não poderia ser o reflexo de uma fantasia de querer, mesmo, para si, o próprio Ricky Martin em carne e adereços, fantasia essa hoje projetada no inocente cachorro Deco, desavisado que está do perigo nipônico que pode habitar a qualquer hora a sua cama de cetim rosa.
Ou seja, tudo uma questão de equilíbrio.
Isso explicaria, por exemplo, o acinte de evitar os apelos dos amigos para a limpeza mínima do seu carro, impestiado com pêlos daquele que agora se pode suspeitar a pessoa, digo, a coisa amada. A vida como ela é.
Parabéns, Naga, meu camarada. Conte sempre comigo nos momentos difíceis. Abraço!