6 de fev. de 2008

Brasil x Irlanda

Final do primeiro tempo. Time jogou bem, numa formação 4-5-1, mas sem penetração. Faltou abrir mais o jogo, mais presença de área. Contra um time que joga fechado, uma presença forte de área combinada ao apoio constante dos dois laterais funciona muito bem. Segura a zaga adversária no meio da área e deixa os laterais no mano a mano com os alas, a não ser q os volantes joguem na sobra dos laterais. Aí sobra espaço pros nossos meias. A escolha, difícil na medida da habilidade dos alas e dos meias, fica pro outro time.

E aí acho que a formação 4-5-1 não era a melhor. Melhor mesmo seria jogar com 3 zagueiros ou 2 zagueiros + um meio de campo bastante recuado, funcionando como um 3º zagueiro e liberando os dois laterais, e quem sabe mais um atacante enfiado. Em parte o Brasil jogou assim o tempo todo. Só ouvi o nome do Gilberto Silva, que joga na posição do Jaílton na seleção brasileira, aos 20 minutos. Ele ficou bastante recuado. Mas a segunda parte não aconteceu, pelo menos no primeiro tempo. Os dois laterais não saíam ao mesmo tempo. Sempre que saía o Léo Moura ficava o Richarlyson, então o jogo sempre tava envergado prum lado, facilitando a marcação, apesar da muito boa movimentação do meio de campo. Ou seja, jogamos quase que com 3 zagueiros mais um ala sempre na sobra, recuados demais pra se proteger de contra-ataques que não aconteceram. Só tomamos algum calor da Irlanda com a defesa toda postada, então não havia motivo para tanta preocupação em liberar os alas.

No segundo tempo o Dunga parece ter percebido isso e liberou um pouco mais os alas. Mas já no início o time exagerou em pelo menos dois momentos em que até o Gilberto Silva avançou, tomando contra-ataques desnecessários. No ataque Dunga também resolveu improvisar mais um atacante com o Julio Baptista, que acabou até se posicionando mais dentro da área que o Luís Fabiano. O jogo então ficou um pouco mais franco. Foram criadas situações mais claras, os dois laterais chegaram mais e com mais facilidade. Mas o gol acabou saindo mermo numa jogada de contra-ataque, em que a habilidade do Robinho fez a diferença.


Nas atuações individuais, o meio de campo todo foi muito bem, tocando rápido e com boa marcação no campo adversário. Júlio Baptista começou mais recuado e pra logo depois avançar. Gilberto Silva, mesmo ainda não sendo aquele Gilberto Silva q a gente conhece foi bem na proteção à zaga, ficando sempre na sobra - sinal de que o resto do meio de campo foi bem também na marcação. Diego e Robinho se reencontraram finalmente.

Nas alas tanto Richarlyson quanto o Léo Moura foram bem. Se bem que eu esperava um pouco mais do melhor lateral direito do mundo. Ficou travado, faltou se soltar um pouco mais. Já do Richarlyson não se espera nada sensacional, mas o lance dele, dentre outras coisas, é fazer o básico com muita competência e estabilidade ao longo do jogo, e isso ele mostrou hoje. Pra falar a verdade, só de ter na seleção laterais que olham pra área antes de cruzar já é grande coisa. Hoje no globo esporte vi o Muricy parando o treino do são paulo pra explicar q "é pra passar, não é pra cruzar". Ou seja, tentando retomar hábitos no futebol brasileiro q foram abandonados com a chegada da era cafu e roberto carlos. São os maiores fenômenos do futebol brasileiro dos últimos 10 anos: ocuparam as laterais da seleção e se consagraram como os melhores laterais do mundo sem nunca terem descoberto o que significa driblar e nem mesmo cruzar (ou passar) uma bola pra dentro da área.

Jorginho teve que voltar à seleção para trazer de volta os velhos hábitos que se foram com ele.

P.S.: O Júlio César tá comendo o Galvão?

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